De volta pro mar
Poemas e Poesias
Transbordo
Minhas águas que correm e arrastam represas
Eu não escorro
Não desaguo
Sou um rio que não corre livre
No meio do caminho tem uma barragem
De gravetos finos
E folhagem verde
Uma represa que agarra
Que se apega
Que segura e não quer soltar
Aquilo que só pede passagem
O rio que corre em mim é arrebatador
Suas águas arrastam e purificam
Quando chove, forma ondas
Se remexe qual maré
Perde a face cristalina
Se retorce e mostra suas pedras
Na estiagem
Seus sulcos marcam a terra
Revelam suas entranhas
E mostram o caminho para o mar
O rio que seca
É o rio que transborda
Suas margens mudam a cada estação
Seu contorno ganha e perde flor
Cheio de curvas e bravezas
Suas águas serpenteiam o chão
Rebentam barragens e barreiras
Arrastam
O que não é rio
De volta pro mar
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