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Acronicos

Poemas e Poesias

Anti-sereia

O que os marinheiros não podem ver do mar

Sem data · 1 min de leitura

Primeiro, ouvi teu canto e arrepiei;
Pois, disseram os marinheiros
Que das sereias, o canto leva à morte.
Mas em tua voz achei mais vida,
E uma sobrevida ocupou-me debaixo da pele.

Depois, vi teu rosto e senti medo;
Pois, avisaram os marinheiros
Que beleza de sereia enfraquece a vontade.
Mas abriste-me um sorriso
E teu sorriso abriu-me a vontade
De ir além deste horizonte e seus horizontes.

E, então, abraçaste-me e senti um calafrio;
Pois, cantaram os marinheiros
Que da sereia, o abraço afoga o homem.
Mas teu abraço incendiou-me.
Não de água encheste meus pulmões,
Mas de ar quente, de ar puro das alturas.

E quando, enfim, nos deitamos
Riram de mim os marinheiros:
Pois "quem deita com sereia, nunca mais levanta."
Mas quando erguemo-nos no dia seguinte
Foi minha vez de cantar e rir.
Porque tu olhavas-me
E em teus olhos havia o sol.

Eis que quis subir para tocá-lo.
E subi e cheguei ao topo.
E do topo do mundo olhei para baixo
Para ver tudo, das superfícies às profundezas.

Lá de cima, ri mais forte;
Ri até inundarem-me os olhos
Pois, dali, vi o que marinheiros não podem ver do mar.
Do topo do mundo, vi-te inteira.
E, em ti, encontrei-me depois de mim.


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